segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Camisa 10


Meu país é uma imensa empresa familiar.
Na gerência trocam-se apenas os primeiros nomes,
filhos e netos da barbárie social
anunciam revoluções enquanto vendem o passado.
E eu que aprendi que democracia era participação,
soberania popular e igualdade a qualquer custo
vou levando pancadas e ficando confuso
cada vez mais descrente na mudança do jogo.
Me sinto como aquele camisa 10
lento para os dias atuais.
Já não acham graça em meu refino,
minha generosidade não é bem vista
nesse tempo que enaltece os oportunistas,
mas seguirei não me rendendo à plateia de brucutus.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

ELES NÃO ESTÃO SOZINHOS

Disparam contra a liberdade,
corruptos que executam a luz da esperança
são pêndulos que tombam para o sombrio.
Eles não estão sozinhos.
Sua extremidade os afasta do brilho,
cristãos sedentos por pena de morte,
maridos respeitáveis que agridem esposas,
pais que hipnotizados pela dança do contracheque
trocam o amor dos filhos por pensões brigadas na justiça.
Psicopatas de pose cordial.
E eles não estão sozinhos.
Se dizem pessoas de bem,
falam de solidariedade na missa aos domingos,
mas criticam programas sociais diariamente.
Robôs movidos a álcool e antidepressivos
que julgam viciados em outras drogas.
E eles não estão sozinhos.
A repressão resolverá todos os problemas do mundo.
A mão da justiça deve espancar quem ameaça a propriedade.
Só se importam com o saldo disponível para saque.
Como cães, estão prontos para avançar naquele que discorda
desde que protegidos por uma tela.
São pit bulls de rede social
e gatinhos amedrontados fora dela.
Mas eles não estão sozinhos.
E juntos sua perversidade represada transborda,
são perigosas reencarnações de outros períodos sombrios.
Têm a mesma faísca que brilhava na íris nazista.
Querem medir todos com sua própria régua,
matar o brilho próprio.
Serão para sempre as ovelhas brancas
que juntas são perigosas matilhas.
E eles não estão sozinhos.




terça-feira, 20 de março de 2018

O FUTEBOL NA JUVENTUDE: DA PUREZA À INFLUÊNCIA MIDIÁTICA



Foto: Alan Morici
A infância do torcedor de futebol é como qualquer outra, marcada pela pureza e análise sem filtros sociais que mais tarde a mídia esportiva nos oferece. Na infância não odiamos um jogador por ser marrento ou um time por ser o preferido da mídia, o pequeno torcedor analisa o futebol de maneira bruta, para ele só importa o que acontece dentro das quatro linhas.

Na infância podemos cometer o pecado de admirar jogadores rivais – aprendemos cedo que não devemos contar isso a ninguém, principalmente para os nossos pais –, aliás, na infância os clássicos não têm o mesmo peso da fase adulta. Não temos a noção do que é um clássico ou uma rivalidade esportiva. É dito que devemos torcer contra o rival, mas isso é impossível aos olhos de uma criança, não há como dizer para não admirar aquele grande craque, ainda que ele esteja do “lado errado”, ela o fará mesmo em segredo.

Desde que me entendo por gente sou corintiano, o time do meu pai. E hoje chego à conclusão que era mesmo para ser. Comecei a acompanhar futebol de maneira “lúcida” por volta dos seis anos de idade. E digo que era para ser corintiano porque em meus primeiros anos de vida testemunhei duas seleções rivais: o São Paulo de Telê e o Palmeiras de Luxemburgo. Enquanto os rivais erguiam taças, o timão além de não vencê-las, bateu na trave em duas campanhas de brasileiro, nas sofridas eliminações para o Vitória-BA com um pecado histórico do primeiro grande Ronaldo do futebol brasileiro e principalmente nas derrotas para o Palmeiras, uma delas que tirou os rivais da fila.

Mas como já disse nessa fase ainda não somos afetados pela rivalidade, lembro do meu tio palmeirense tirando sarro do meu pai, do vizinho que zombava de mim, foi quando descobri que a gênese da rivalidade está no desejo de vingança, espera-se até o próximo confronto para ir à forra contra quem tanto nos provocou. O Palmeiras roubou o jogador que eu mais gostava do Corinthians – Rivaldo – que foi também o primeiro jogador que odiei na vida. Entre 93 e 94, a vida não foi nada fácil para o torcedor corintiano, desde cedo o apelido de sofredor nos caía bem.

Aos olhos de uma criança o futebol é puro, admiramos os jogadores pelas mais inusitadas questões: pelo que são no videogame, por sua cor de chuteira, gola da camisa levantada, meião baixo. Quando crianças até nomes bonitos de clubes fazem com que tenhamos simpatia por eles. Foi assim, por exemplo, que comecei a admirar o Boca Juniors. Sempre achei um nome muito bonito - ajudaram a volta do Maradona e a força do time no Super Nintendo – simpatia que foi consolidada posteriormente com as eliminações sobre o Palmeiras na Libertadores. Meu primeiro ídolo foi Ronaldo e sua emblemática camisa I, era dele o nome narrado a cada defesa nas peladas jogadas.

A mídia acaba sendo culpada pela forma como a maioria das pessoas enxerga o futebol. Ao atacar personagens supostamente marrentos e idolatrar outros como sendo mais humildes, ainda que a real personalidade dos atletas sejam invertidas ela distorce também o sentimento e impõe barreiras à admiração que deveria se restringir ao futebol. Não são poucos os personagens que admiramos quando surgem por analisarmos apenas sua qualidade técnica e outras virtudes, mas que com o passar do tempo acabamos até torcendo contra por ser marrento, mimado ou por jogar no time da moda e ser bajulado pela mídia.

Um claro exemplo é do que aconteceu comigo em relação aos dois maiores jogadores da nova geração. Sou o tipo de torcedor que vê futebol sempre torcendo para alguém ou contra alguém, não gosto de ver futebol de maneira neutra, sou daqueles que sempre toma partido de uma equipe, mas existem times e jogadores que acabam mudando um pouco isso. No confronto Real Madrid x Barcelona, sempre preferi o lado merengue, mas era impossível não admirar o futebol daquele Barcelona de Ronaldinho, e quando o Messi surgiu lembro que passei a assistir os jogos não mais para ver apenas o brasileiro. Desde cedo o argentino tinha algo diferente, além da absurda qualidade técnica ele é o único jogador que vi correr mais rápido com a bola nos pés do que sem ela. A essa altura eu já não era mais uma criança, saía da adolescência para o início da fase adulta, mas conseguia separar a qualidade mostrada no campo da figura fria que o Messi representava fora dele.

O tempo passou e a absurda qualidade do Messi permaneceu lá, porém, a constante ovação da mídia e a excessiva exaltação do argentino e do Barcelona me fizeram pegar birra e quando percebi havia me tornado um rival do clube catalão e secador do Messi a ponto de torcer contra ele em qualquer oportunidade. Apenas depois de mais tarde percebi que aquilo era fruto midiático.

Com Cristiano Ronaldo aconteceu exatamente o contrário. Quando ele surgiu era óbvio que ele tinha qualidade e seus dribles o aproximavam do futebol que estava acostumado a ver por aqui, o nome Ronaldo também parecia ajudar, mas aos outros. Eu estava convencido que seria apenas mais um jogador marrento apegado à firulas. Minha resistência ao futebol inglês também pesava um pouco – sempre fui admirador das escolas italiana e argentina – e mesmo sendo decisivo, fazendo gols absurdos e jogando um futebol plástico eu torcia o nariz para o português por acreditar nas coisas que a mídia vendia sobre ele.

Da mesma forma o tempo passou e muita coisa mudou. A obstinação e constante evolução que potencializaram exponencialmente sua já absurda qualidade, a mentalidade gigante – necessária para ser ídolo em duas das maiores camisas do futebol mundial e levar uma fraca seleção à uma conquista histórica – e o conhecimento do perfil humanitário da pessoa Ronaldo me fizeram um grande admirador de um jogador que mesmo não sendo o preferido da mídia foi capaz de rivalizar com outra entidade do futebol e colocar seu nome entre os maiores da história.

E por que eu falo da mídia? Porque o marketing manda alimentar rivalidades, é regra odiar o rival e desmerecer as qualidades de seu melhor jogador. Sinto isso ao ver meu pai mesmo sendo fanático às vezes elogiar jogadores rivais, impensável na cultura midiática em que as novas gerações são criadas, onde devemos amar um e odiar o outro, no máximo podemos o rival em segredo.

Um jovem não deve escolher entre Messi e Cristiano Ronaldo, assim como não deveria entre Ronaldo e Zidane, Pelé e Maradona, Del Piero e Totti, Dida e Marcos, Maldini e Zanetti, Romário e Edmundo, Marcelinho e Alex, Riquelme e Aimar e tantas outras rivalidades já alimentadas pela mídia. Deixem essa coisa para os adultos, ensinem as crianças a ver o melhor em todos.


segunda-feira, 19 de março de 2018

COLONUS: heróis da revolução




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INFORMAÇÕES 

Autor: Gil Costa
ISBN: 978-85-924239-0-2
Número de páginas: 172
Número da Edição: 1
Ano da Edição: 2018

SINOPSE
Alenia é um reino governado há gerações por uma família tirana. De acordo com as regras do Livro de Aósis, a sociedade foi dividida em distritos que determinam a condição social das pessoas. Quanto mais longe do centro, mais explorada é a população. Colonus, distrito responsável pela produção de alimentos é o mais distante. Quando o consumismo das elites alenianas torna a fome uma ameaça real, o jovem Gandhur, filho do líder de Colonus, é encarregado de negociar uma divisão mais justa diretamente com o rei. Mas sua família é considerada culpada e o jovem condenado injustamente à morte no deserto. A revolução que libertará Colonus depende de sua sobrevivência.